Sujeito Natalino 3


Por favor reparem na vestimenta do Sujeito Natalino, é um luxo só. É seda pintada a mão, um trabalho que me faltam  palavras para descrever.
Ganhei vários retalhos de seda pintados pela Ita Andrade,  segundo ela, só porque  ela gosta do meu trabalho.  Vocês precisavam ver a minha emoção quando abrir uma linda caixinha de madeira, também pintada por ela, dentro estavam vários retalhos um mais lindo que o outro. Eu estou fazendo uma Maria especial com estas sedas, porém  não resisti e vesti meu sujeito natalino com esta bela seda.
A Ita além de pintar seda escreve  lindos textos e cronicas, seu blog é: http://ita-andrade.blogspot.com/
Ita obrigado por me presentear com material tão precioso, produzido por um bichinho (a lavra de uma mariposa) incrível e pintado por uma mulher muito especial, e obrigado também por me  dar a oportunidade de aprender trabalhar com este material nobre. Ah! ele enfeita a porta do meu apartamento neste Natal.

A louca da casa

Quem primeiro se referiu a ela como "A louca da casa" foi Santa Tereza de Jesus. Existe um livro que tem este mesmo nome de autoria da Rosa Monteiro, uma autora que adoro e leio tudo que ela publica. Na música Guilherme Arantes se refere a ela em um lindo trecho de música:

Você verá que é mesmo assim
Que a história não tem fim
Continua sempre que você
Responde "sim"
A sua imaginação
A arte de sorrir
Cada vez que o mundo
diz não...

É isso mesmo a nossa imaginação, esta louca algumas vezes encantadora por vezes assombrosa que mora no andar de cima da nossa casa.
Para mim  a imaginação são duas grandes asas brancas, que me levam por outros “eus” e “outros mundos” e que  permite que brote flores na minha cabeça.




O Anjo Costureiro

O Anjo costureiro

O Anjo Costureiro costura relacionamentos e amizades. Têm nas mãos os fios das vidas dos humanos. Manipula, alinhava e costurar os fios promovendo encontros de formas inusitadas: enrosco de rodas de carrinho de supermercado, pegar o mesmo livro na prateleira de uma livraria, cair no colo do outro na viagem de avião, usar o mesmo abrigo para fugir da chuva, entre tantas outras tramas que ele constrói. Trabalha com tamanha sutileza que os humanos não percebem e chamam estes alinhavos de inicio de amizade, de acaso, coincidência, casualidade, sorte, etc.
Porém de um tempo para cá o Anjo costureiro, começou a engordar e criar uma ligeira barriga. É que o coitado anda sendo deixado de lado. O seu destino de costurar amizade entre os humanos parece que está se esvaziando.
Acontece que o Anjo Costureiro ganhou um rival, que esta sabotando sua missão. O sujeito não tem cara de anjo, nem asa de anjo, nem aureola de anjo e nem pé de anjo, mas  tem a capacidade de promover muitas amizades em tempo muito menor e usa um método de costurar amizades completamente diferente.
Pelo tradicional método do anjo, primeiro as pessoas se encontram e depois ficam amigas.
 Já o método do seu rival primeiro as pessoas ficam amigas depois se encontram, ou não.  E onde entrar o abraço?
O Anjo Costureiro sempre teve muito orgulho de seu destino, por isso não derruba suas asas. Pelo contrario quer conhecer de perto o tal rival. E para isso anda buscando de nuvem em nuvem.Pois duas coisas ele descobriu sobre este sujeito, que está querendo mudar o destino dos homens; que ele mora nas nuvens  e que se chama Facebook.


Bruxa Maria



Ela não mora em um castelo abandonado, cheio de teias de aranhas e criação de morcegos. Ela mora em um pequeno apartamento de uma grande cidade. É uma bruxa contemporânea. Usa bicicleta em vez de vassoura, se veste com roupas coloridas em vez de preto, usa o Google em vez de bola de cristal, usa um piercing em vez de verruga no nariz e em vez de um gato tem um cachorro negro.

De resto, é uma bruxa como as outras. Transforma príncipe em sapo, carruagem em abóbora. Como toda bruxa, adora alquimia, mas não aquelas velhas receitas fumegantes de misturar rabo de lagartixa com olho de dragão.  A Bruxa Maria gosta mesmo é de misturar cores. Dizem que no dia em que a magia está à flor da pele ela consegue modificar até as cores do arco-íris.  

Tem uma prateleira na janela em vez de cortina. Esta prateleira é cheia de garrafas coloridas, que refletem vários raios de luzes multicores.  Ela não conta para ninguém, mas copiou a ideia das garrafas coloridas da casa de um grande poeta. Pois, em noites de lua cheia, em segredo visita artistas e poetas, porque, segundo ela, estes seres são mágicos, embora usem disfarces.

Mas no dia do Halloween, a Bruxa Maria abre seu antigo baú de bruxa. Coloca asas de morcego, liberta aranhas, coloca no céu uma Lua nova, no bolso uma floresta escura e a velha máscara de coruja da sua bisavó. Segue a tradição de seus ancestrais e sai para se divertir. Afinal, bruxa é sempre bruxa, mesmo que de vez em quando se confunda com uma fada.

Maria Rabanete


Ela adota o estilo de vida simples e natural. Não come qualquer tipo de carne. É adepta do vegetarianismo.
Os amigos, no começo, não a convidavam para festas, pois ela recusava-se a comer quibe ou coxinha. Com o tempo, resolveram o problema incluindo no buffet taças de tirinhas de cenoura e pepino. E as festas hoje são mais animadas e coloridas.
O coração tem razões que a própria razão desconhece, e ela se apaixonou por um sujeito carnívoro. Enquanto um come bife de carne o outro come bife de berinjela. Convivem em certa harmonia.
 Ele gosta de fazer brincadeiras e presenteou-a com uma poesia de Vinicius de Moraes (que odiava vegetariano) - “Não comerei da alface a verde pétala”. Mas ela deu o troco retribuindo o presente com a reprodução de uma tela de Arcimboldo, onde o rosto é construído através de legumes.
Adora ir à feira escolher seus legumes e verduras. Tem um livro de receitas que vai de quibe de quinoa a um carpaccio de aboborinha, receita de uma amiga. Algumas pessoas acham que esta Maria fez esta opção para ser magra, mas ela logo explica: ser magra não, ser leve.

Bem-vindo Lucas


Esta é a árvore genealógica que fiz para o garotinho Lucas que acabou de nascer na terça 11 de outubro. Bem vindo  Lucas que o mundo te receba de braços abertos.

Obrigado Lu Guedes

Tarde de sábado, no coração da paulicéia. Sem pressa… Sem as ilusões tão cotidianas da cidade que pulsa insanidades atemporais. Um cenário inusitado. Um cantinho numa rua da Lapa: uma vila romana. Um nome romano. “ Rua Camilo”. Silêncio lembrando versos de um poema. O próprio lugar parece uma poesia recém escrita. Flores  na Varanda. É aquele título que a gente procura quando escreve no meio da tarde, após uma chuva mansa, com nuvens que lembram pinceladas…

O convite. Inevitável. Salta por cima da pele. Encontrar as “Marias”… Papel, tesoura, cola e muita sensibilidade… Um pouco de poesia. Versos no papel. Inverso. Avesso. Verdades. Ilusões. Tudo tão singelo. Tudo tão misterioso. Só olhando de perto para compreender a sensação das cores. São tantas…

A tarde pede que a chuva também aceita o convite. Ela o faz. Molha os caminhos. O telhado. Sopra ilusões temporárias. Sopra desejos renovados. Os diálogos são muitos. Os assuntos diversos. A tarde se perde. Chega a noite. Com tudo dentro. Paredes “pintadas”. Mesas repletas de “movimentos”. O som vai para o palco. Os instrumentos também. Dois. Três. Tudo é gesto. Tudo é som. Olhos curiosos percorrem a paisagem. 

A artista se consagra na satisfação que a abraça.
E por fim, mesmo não desejando, é hora de ir embora. Deixando para trás uma só certeza. Valeu a pena dizer “sim” ao convite para encontrar Marias. Eu as encontrei em mim, em outras, nas paredes, nas mesas, pelo chão, desde a entrada, até a saída. E claro, trouxe um pouco de tudo isso comigo…


 Este texto foi publicado pela querida Lu Guedes, no seu belo blog.
 Nossa amizade, minha e da Lu começo pela internet, hoje ela á uma amiga querida, e para      começar o dia  sempre leio seus posts, eles me dão inspiração e coragem para enfrentar o dia. Quem quiser ver o post na integra ou conhecer o seu belo blog e se apaixonar pelos seus textos:

Oficina 01



Aconteceram duas oficinas no Flores na Varanda, em parceria com do Ateliê Retalhos Etc e Tal. A Proposta  era os primeiros passos em colagem, com a confecção dessa boneca de papel. Participaram da oficina pessoas de 10 a 70 anos.  No mosaico acima estão os trabalhos dos participantes do primeiro dia .
Muito obrigado a todos, foi um prazer trabalhar com todos vocês.

Oração a São Francisco 2

Obrigado meu São Francisco por mais um ano em companhia da Lua, minha professora; de paciência, de ternura,  de amor, de carinho, de amizade, de companheirismo.

Quem estiver em São Paulo

Estou em falta com a Chica e com o Malvino que esta semana me encantaram com  poesias inspiradas nas Marias. Estou preparando um agradecimento especial, mas vai demorar só mais um pouquinho, já  que estou envolvida com a preparação do evento acima. 
O local da exposição é um lugar lindo, com muito verde, muitas flores, passarinhos. Tem o endereço do site no convite. Espero todo mundo por lá.  

Maria 4 olho



Esta Maria já não enxergava mais a cara dos amigos do outro lado da rua.  Os semáforos eram todos triplicados.  Quase todas as manhãs aconteciam escuras. Não conseguia ler seus livros preferidos.  As formigas e as abelhas do jardim haviam sumido. 
Alguém a avisou - “Você vai ter que usar óculos!”
A ideia não a agradou. “De agora em diante vou ser... ‘Maria Quatro-olhos’!” Porém, quando colocou o óculos pela primeira vez, teve a mesma emoção de Miguilin, personagem de Guimarães Rosa.
Ao encontrar de novo a claridade, viu novamente os detalhes no rosto das pessoas, a cor dos olhos e não mais um buraco negro.  Olhou para o chão e viu as pedrinhas e as diferenças de cores entre elas.  No jardim viu que as formigas e as abelhas continuavam por lá... ela é que tinha se ausentado por algum tempo.
E saiu cantarolando “Por trás desta lente também bate um coração”!...

Maria do Céu da Lua das Estrelas

Esta Maria ontem olhou para o céu e disse : Olhem as estrelas do céu!
Um  adulto respondeu: três ou quatro estrelas!
Já criança : Nossa, quantas!
Esta Maria então se lembrou de  Antoine de Saint-Exupery:

"Se você disser às pessoas adultas: eu vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa com gerânios nas janelas e pombos no teto, elas não poderão imaginar essa casa: será preciso dizer-lhes: é uma casa de 100 mil francos."

Teoria das nuvens

 

"É preciso ser um tolo, e sê-lo com uma obstinação disparata, para se interessar pelas nuvens. Para a maior parte das pessoas de bom senso, as  nuvens estão lá. E isso é tudo. O que mais dizer? Fazem parte da decoração. Não há nada de espantoso nas nuvens, não há nada a esperar delas; senão água, sob diferentes formas.Os homens só olham as nuvens para vigiar a chuva, seja porque aguardam com  uma impaciência febril, seja porque a temem como uma catástrofe. Os progressos da civilização ocidental os desviaram ainda mais da observação do céu: nessa parte do mundo os homens consultam o radio ou a televisão para saber como se vestir. Em raras ocasiões, esses homens são tocados pela beleza absoluta das nuvens."
Do livro - A Teoria das Nuvens de Spéphane Audeguy.

Maria Sabiá




Tem paixão por passarinhos. Coloca nas janelas estrela de sementes, planta flores no jardim, deixa pedacinhos de mamão em lugares estratégicos. Quando os pássaros cantam lá fora, ela se enche de alegria e cantarola suas melodias preferidas: Eu e o sabiá ou Bird on the wire.
Muitas vezes, se esconde atrás da cortina para observá-los e, assim, descobriu um monte de palavras que combinam com passarinho: leveza, liberdade, murmúrio, capim, árvore, distância, retorno, elegância, surpresa, melodia, encanto...
É final de agosto, o coração desta Maria está cheio de esperança, pois anunciando a primavera, o sabiá voltou a cantar.