Sorte




Quando um ano novo começa, as pessoas supersticiosas praticam diversos rituais. Pulam ondas, comem uva e guardam as sementes na carteira, se vestem de branco, colocam o pé esquerdo no chão só depois da meia-noite, comem lentilhas, jogam flores no mar, além de fazerem e apreciarem a queima de fogos.

A queima de fogos indiscriminada, porém, é muito ruim. Na cidade de Santos, onde passei a virada do ano, se queimou morteiro até às quatro horas da manhã. Não vejo necessidade de se comemorar desta maneira, é um verdadeiro abuso. Durante a madrugada, a cada morteiro que explodia se ouvia o grito assustado dos pássaros na praia. Nós não estamos sozinhos na Terra, somos parte de um sistema e temos que pensar nos outros seres que habitam este espaço.

Mas há superstições que até são divertidas, como no primeiro dia do ano levar para casa uma coruja verde, e um elefante amarelo, de cerâmica, claro!

Cara metade


Cara  metade

 Segundo Platão na origem, o mundo era habitado por andróginos Os andróginos eram  seres constituídos por uma metade masculina e outra feminina.
Como eram seres completos e terrivelmente fortes, tinham muita ambição e começaram a ameaçar a harmonia do meio, despertando assim preocupação nos deuses do Olimpo. Por sua vez Zeus irritado com a situação, mandou repartir os seres andróginos ao meio, resultando duas partes uma feminina e outra masculina. Assim divididos os andróginos passaram a se sentir incompletos e infelizes. Daquele momento em diante vagavam pelo mundo com um só objetivo encontrar a sua metade. Esta incompletude foi herdada pelo homem. É por isso que segundo a mitologia, vivemos a procura daquela pessoa que “se encaixa bem com a gente”.
Assim seguimos a procura; da cara metade, da alma gêmea, da tampa da panela, dos sapos que se transformam em príncipes.

Fica mais fácil quando adornamos nossas buscas com mitologia, fantasia, lendas...

Um doce para Cora


Quando esta Maria entra em uma doceira e vê doces maravilhosos, coloridos formas tão bonitas que até dá pena de comer, com nomes como petit gateau, madeleines, macarons, brownie e os famosos cupcakes, ela sempre se lembra de uma senhora doceira que viveu anos atrás lá no coração do Brasil.
O que ela pensaria se entrasse hoje em uma doceira assim? Talvez se encantasse com as formas e o colorido, talvez procurasse pelo doce de abóbora ou banana feito no tacho de cobre ou pelas famosas caixinhas com variedades de frutas açucaradas. Ou talvez, quem sabe, tentasse encontrar somente a poesia. Afinal, para ela, fazer doces era como fazer poesia, e fazer poesia era como fazer doces.



Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina

Maria de que?



Esta é Maria Folha. Sim, assim chamada porque tem a mania de recolher folhas que caem das árvores. Fica horas olhando uma por uma: detalhes, cores, texturas, formas... Geralmente não encontra explicação para tanta diversidade e beleza.
Depois escolhe o livro preferido e as páginas mais queridas, e faz lá as folhas descansarem.
O coração desta Maria está feliz, pois no hemisfério Sul chegou o Outono, sua estação do ano preferida. Seja bem-vindo, Outono.

Estrela

Há de surgir
Uma estrela no céu
Cada vez que ocê sorrir
Há de apagar
Uma estrela no céu
Cada vez que ocê chorar

O contrário também
Bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar
Quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver
A flor do seu sorriso se abrir

Hum!
Deus fará
Absurdos
Contanto que a vida
Seja assim
Sim
Um altar
Onde a gente celebre
Tudo o que Ele consentir

Gilberto Gil

Então...

Quando o rubor de um sol nascente caiu pela primeira vez no verde e dourado do Éden,

Nosso pai Adão sentou-se sob a Árvore e, com um graveto, riscou na argila;

E o primeiro e tosco desenho que o mundo viu foi um júbilo para o coração vigoroso desse homem,

Até o diabo cochichar, por trás das folhagens: "É bonito, mas será Arte?"


Rudyard Kipling.

Flores nos cabelos

Na primavera minha mãe usava gardênias no cabelo. Quando vinha ao nosso quarto para nos dar um beijo de boa-noite, a flor refulgia como uma jóia branca roubada da estufa de um rei.

Ver  uma mulher levantar os braços e colocar uma flor nos cachos de seu cabelo ainda é  para mim um gesto de indiscritivel beleza.


Este pequeno texto é do livro "O príncipe das marés" do autor Pat Conroy

Pausa para agradecimento

Tenho comigo que agradecer é muito importante. Ensinei isto aos meus filhos. Agradeço sempre: ao Divino, as pessoas que fazem parte da minha vida, a minha cachorrinha por estar sempre ao meu lado, aos meus amigos pela presença, enfim... Eu agradeço

Alguns blogs ( Casa de retalho, Gosto-disto, Gaspar e família, Sosledad, À la Clair Fontaine, Monica Anoja, Dona Mocinha, Poesia Infantil I Juvenil) têm publicado meus trabalhos acompanhados de palavras carinhosas e elogios que é o maior incentivo que um artista pode desejar.

Eu sempre agradeço, mas às vezes as palavras, não são capazes de dar conta do verdadeiro significado. Portanto achei melhor agradecer na linguagem que domino melhor, a colagem.

08 DE MARÇO

Por que atributos da mulher sábia são, além disso, tão importantes para as jovens? E por que a sabedoria e a energia das jovens são tão importantes para as mais velhas? Juntas, elas simbolizam dois aspectos essenciais encontrados na psique de cada mulher. Pois a alma de uma mulher é mais velha que o tempo, o seu espírito é eternamente jovem... sendo que a união desses dois compõe o " ser jovem enquanto velha e velha enquanto jovem".

Clarissa Pinkola Estés

Seja em qualquer época ou com qualquer idade,  nas nossas lutas, a nossa arma maior, seja o coração.

Pierrô Apaixonado


Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

Noel Rosa


Quem dança. Dança.Quem descansa. Descansa. Bom carnaval a todos.

Hoje, eu não quero sofrer

Hoje, eu não quero chorar

Deixei a tristeza lá fora

Mandei a saudade esperar, lá, iá, lá, iá

Hoje eu não quero chorar

Quem quiser que sofra em meu lugar...

Com licença de Henri Matisse

Desde jovem, o pintor Henri Matisse costumava visitar semanalmente o grande Renoir em seu ateliê. Quando Renoir foi atacado pela artrite, Matisse passou a fazer visitas diárias, levando alimentos, pincéis, tintas, mas sempre procurando convencer o mestre de que estava trabalhando demais, e precisava descansar.

Certo dia, notando que a cada pincelada fazia com que Renoir gemesse de dor, Matisse não se conteve:

“Grande Mestre, sua obra já é vasta e importante. Por que continuar torturando-se desta maneira?”

“Muito simples”. Renoir respondeu. “ A beleza permanece, a dor termina passando.”

Os últimos 15 anos da vida de Matisse não foram diferentes. Sem poder se levantar, sempre em cadeiras de roda, ou mesmo na cama, Matisse que não podia mais pintar se volta para os papéis recortados e colados, e produz uma bela obra que permaneceu.

Aqui uma releitura em colagem da obra (pintura) de 1940 “Blusa Romena”. Matisse explorou o bordado romeno por varias obras. São trabalhos lindíssimos.