Bruxa Maria



Ela não mora em um castelo abandonado, cheio de teias de aranhas e criação de morcegos. Ela mora em um pequeno apartamento de uma grande cidade. É uma bruxa contemporânea. Usa bicicleta em vez de vassoura, se veste com roupas coloridas em vez de preto, usa o Google em vez de bola de cristal, usa um piercing em vez de verruga no nariz e em vez de um gato tem um cachorro negro.

De resto, é uma bruxa como as outras. Transforma príncipe em sapo, carruagem em abóbora. Como toda bruxa, adora alquimia, mas não aquelas velhas receitas fumegantes de misturar rabo de lagartixa com olho de dragão.  A Bruxa Maria gosta mesmo é de misturar cores. Dizem que no dia em que a magia está à flor da pele ela consegue modificar até as cores do arco-íris.  

Tem uma prateleira na janela em vez de cortina. Esta prateleira é cheia de garrafas coloridas, que refletem vários raios de luzes multicores.  Ela não conta para ninguém, mas copiou a ideia das garrafas coloridas da casa de um grande poeta. Pois, em noites de lua cheia, em segredo visita artistas e poetas, porque, segundo ela, estes seres são mágicos, embora usem disfarces.

Mas no dia do Halloween, a Bruxa Maria abre seu antigo baú de bruxa. Coloca asas de morcego, liberta aranhas, coloca no céu uma Lua nova, no bolso uma floresta escura e a velha máscara de coruja da sua bisavó. Segue a tradição de seus ancestrais e sai para se divertir. Afinal, bruxa é sempre bruxa, mesmo que de vez em quando se confunda com uma fada.

Maria Rabanete


Ela adota o estilo de vida simples e natural. Não come qualquer tipo de carne. É adepta do vegetarianismo.
Os amigos, no começo, não a convidavam para festas, pois ela recusava-se a comer quibe ou coxinha. Com o tempo, resolveram o problema incluindo no buffet taças de tirinhas de cenoura e pepino. E as festas hoje são mais animadas e coloridas.
O coração tem razões que a própria razão desconhece, e ela se apaixonou por um sujeito carnívoro. Enquanto um come bife de carne o outro come bife de berinjela. Convivem em certa harmonia.
 Ele gosta de fazer brincadeiras e presenteou-a com uma poesia de Vinicius de Moraes (que odiava vegetariano) - “Não comerei da alface a verde pétala”. Mas ela deu o troco retribuindo o presente com a reprodução de uma tela de Arcimboldo, onde o rosto é construído através de legumes.
Adora ir à feira escolher seus legumes e verduras. Tem um livro de receitas que vai de quibe de quinoa a um carpaccio de aboborinha, receita de uma amiga. Algumas pessoas acham que esta Maria fez esta opção para ser magra, mas ela logo explica: ser magra não, ser leve.

Bem-vindo Lucas


Esta é a árvore genealógica que fiz para o garotinho Lucas que acabou de nascer na terça 11 de outubro. Bem vindo  Lucas que o mundo te receba de braços abertos.

Obrigado Lu Guedes

Tarde de sábado, no coração da paulicéia. Sem pressa… Sem as ilusões tão cotidianas da cidade que pulsa insanidades atemporais. Um cenário inusitado. Um cantinho numa rua da Lapa: uma vila romana. Um nome romano. “ Rua Camilo”. Silêncio lembrando versos de um poema. O próprio lugar parece uma poesia recém escrita. Flores  na Varanda. É aquele título que a gente procura quando escreve no meio da tarde, após uma chuva mansa, com nuvens que lembram pinceladas…

O convite. Inevitável. Salta por cima da pele. Encontrar as “Marias”… Papel, tesoura, cola e muita sensibilidade… Um pouco de poesia. Versos no papel. Inverso. Avesso. Verdades. Ilusões. Tudo tão singelo. Tudo tão misterioso. Só olhando de perto para compreender a sensação das cores. São tantas…

A tarde pede que a chuva também aceita o convite. Ela o faz. Molha os caminhos. O telhado. Sopra ilusões temporárias. Sopra desejos renovados. Os diálogos são muitos. Os assuntos diversos. A tarde se perde. Chega a noite. Com tudo dentro. Paredes “pintadas”. Mesas repletas de “movimentos”. O som vai para o palco. Os instrumentos também. Dois. Três. Tudo é gesto. Tudo é som. Olhos curiosos percorrem a paisagem. 

A artista se consagra na satisfação que a abraça.
E por fim, mesmo não desejando, é hora de ir embora. Deixando para trás uma só certeza. Valeu a pena dizer “sim” ao convite para encontrar Marias. Eu as encontrei em mim, em outras, nas paredes, nas mesas, pelo chão, desde a entrada, até a saída. E claro, trouxe um pouco de tudo isso comigo…


 Este texto foi publicado pela querida Lu Guedes, no seu belo blog.
 Nossa amizade, minha e da Lu começo pela internet, hoje ela á uma amiga querida, e para      começar o dia  sempre leio seus posts, eles me dão inspiração e coragem para enfrentar o dia. Quem quiser ver o post na integra ou conhecer o seu belo blog e se apaixonar pelos seus textos:

Oficina 01



Aconteceram duas oficinas no Flores na Varanda, em parceria com do Ateliê Retalhos Etc e Tal. A Proposta  era os primeiros passos em colagem, com a confecção dessa boneca de papel. Participaram da oficina pessoas de 10 a 70 anos.  No mosaico acima estão os trabalhos dos participantes do primeiro dia .
Muito obrigado a todos, foi um prazer trabalhar com todos vocês.

Oração a São Francisco 2

Obrigado meu São Francisco por mais um ano em companhia da Lua, minha professora; de paciência, de ternura,  de amor, de carinho, de amizade, de companheirismo.