Até passarinho passa


E ele passou... Bartolomeu Campos de Queiros morreu e levou junto a sua prosa poética. Ele dizia que a beleza é tudo aquilo que não se dá contar de ver sozinho, portanto segue abaixo um trecho de um dos seus livros "infantis". Um convite para dividir beleza.

“(...) Mas eu não encontrava sinal de tristeza na existência dos passarinhos. Todo o universo lhes parecia ser construído apenas de deslumbramentos. O norte estava onde o desejo apontava. Só exercitava as asas quando a distancia era longa e o vazio muito largo. Uma bonita preguiça eu percebia em seus gestos, quase sempre. Então, esticavam as asas, abrindo-as em conchas, cobrindo a cabeça e protegendo os pensamentos como se fossem pérolas. Cada movimento dos passarinhos permanecia gravado em mim como um modelo de rigorosa criação.”