Memórias



Estes trabalhos são de 2004.
 Nesta época hospedei uma amiga espanhola por alguns meses em minha casa.


   Rebeca, uma querida amiga que quero um dia rever.


Durante alguns meses ensinei  Rebeca a fazer estes bonecos de papel.
Ela foi uma aluna brilhante.


 Com exceção desta acima, as demais são trabalhos da Rebeca.


Hoje revendo o monte de fotos que tenho  destas bonecas, encontrei estas bailarinas. Senti saudades desta querida amiga e das tardes divertidas que passamos juntas.
Lamento a qualidade das fotos.

Maria sai da lata! Ou será Maria pula do papel?



A história não foi bem assim. As Marias nascerem primeiro em formas de pequenas esculturas de jornal, cola, fita crepe e tinta. Durante o período de 2003 a 2006. Produzi muitas dessa sujeitas lúdicas, simples e coloridas. Depois estas Marias se transformaram em  colagem sobre papel. Porém de duas semanas para cá elas voltaram a querer existir.Assim nasceu a Maria Ludmila, abrindo o caminho para outras lúdicas Marias.

Maria pé na cozinha



Quando alguém diz para esta Maria que ela tem o pé na cozinha, ela responde de pronto: “Tenho o coração na cozinha”.
Sua paixão pela culinária é antiga, desde menina quando, fascinada, observava sua avó descascar batatas. Como a avó conseguia deixar a batata nua em tão poucos segundos sem cortar os dedos e não quebrar a casaca? Com o tempo foi se interessando pela salsinha, a cebolinha, o alho, o tomate, a ervilha, a farinha de trigo, o milho  e  quando percebeu tinha amarrado seu coração à cozinha e à sua alquimia.

E como não se render ao aroma da comida sendo feita no fogão? O cheiro do tempero do feijão, do bacalhau ao forno, da sopa de mandioquinha, do bolo assando. A sopa de mandioquinha foi a primeira receita que aprendeu com a avó e hoje é uma especialista em creme de mandioquinha.

Mas não pense que tudo sempre foi fácil na cozinha para esta Maria. Sempre que ela olha no dorso da sua mão direita, lá está a marca antiga da primeira linguiça que fritou. Uma marca e um marco do início da vida desta Maria na cozinha.

 Algumas vezes, conversa com as panelas. Conta seus mais íntimos segredos, afinal, ela encarra as panelas como suas cúmplices - quem além dela sabe a combinação dos ingredientes? Quem além dela sabe a hora de desligar o fogo?
Além dos muitos livros de culinária e dos cadernos de receitas, tem também na cozinha alguns livros de poesia. Pois acredita que a poesia assim como a cozinha são alquimias muito semelhantes, pois ambas são combinações especiais e delicadas do cotidiano. Outro dia leu um livro de receitas que dizia: “Quem não sabe rimar, tampouco entende as panelas”. Ela levou isso muito a sério.

Na janela da cozinha, um canteiro de ervas, no canto, o avental colorido. E vesti-lo é seu ritual para entrada em seu santuário, porque é assim que ela encarra a sua cozinha. E é muito fácil comprovar isso, quando a família se senta à mesa para saborear a sua comida. 

Caçando palavras



Este é trabalho bem antigo. Fiz com recorte de revista, pintura em gouche e guardanapo. Os trabalhos antigos são como  um ex-amor, sempre quando se encontra, bate forte o coração.
Hoje mexendo nos velhos portfólios, quando a encontrei não pude deixar de pensar em  um livro lindo que estou lendo: O livro das Coisas Perdidas de John Connolly.

"Antes de adoecer, a mãe de David costumava dizer que as histórias eram vivas. Não no jeito que as pessoas são vivas, ou mesmo os cães e os gatos. As pessoas viviam quer a gente tomasse ou não conhecimento delas, enquanto os cães tinham a mania de se fazer notar no caso de não prestarmos muita atenção neles. Já os gatos eram, quando lhes convinha,mestre em fazer de conta que as pessoas não existiam...mas ai já é outra história."
"Entretanto, com as histórias, havia uma diferença: tornavam-se vivas somente quando eram contadas."

Maria Contadora de história 2


" Há um sentido mais profundo nos contos de fadas que me contavam na infância do que verdade em tudo o que é ensinado pela vida". Friedrich Schiller (1759-1805)

Para Rosana Liani uma contadora de história lá da região de Veneto lá na Itália. 
Para Rossichka diretora de teatro de fantoche e especialista em contos de fadas, lá da Bulgária.
Para Monica Anoja uma psicanalista com alma de poeta, também lá da Itália.
Três pessoas que só a internet poderia ter me dado o prazer de conhecer e compartilhar momentos de magia e encantamento, mesmo que nossos olhares nunca se cruzem.

Maria Sumida


Eu participe da Mega Artesanal pela primeira vez, tanto como visitante, tanto como convidada. A minha participação foi com uma pequena exposição no Stand da Henkel, onde expus 12 Marias Arteiras, cada uma representando um tipo de artesanato. Esta acima era uma delas. Representava as Marias que confeccionam bichos de tecidos, estas suaves criaturas que arrebatam nossos olhares e corações. Oportunamente foi publicar todas elas aqui no blog juntamente com o texto que acompanhou a exposição.

Entretanto esta Maria provocou uma grande e incontrolável paixão em alguém, que na calada da noite ou na confusão do entardecer, se apoderou da Maria e a levou embora. Em português claro e menos romântico esta Maria foi furtada. Bem, todos nós sabemos que  uma grande paixão, costuma  causar uma certa burrice.

Mais por que isso não poderia acontecer? Aconteceu até com grandes artistas. A famosa obra a Monalisa de Leonardo da Vinci foi furtada no ano de  1911 e segundo alguns críticos de arte a fama da Monalisa começo justamente por causa deste episodio. De maneira nenhuma estou esperando que isso aconteça com a minha suave e despretensiosa Maria,  primeiro porque ela não é uma obra de arte, segundo ela  não estava em um Museu e terceiro eu não Leonardo da Vinci. O que estou comparando é só o arrebatamento que certas imagens provocam em certas pessoas.

É uma pena porque a serie ficou prejudicada e incompleta. De qualquer maneira quem ver esta Maria  por ai  favor  diga a ela, que as outras Marias sentem a sua falta que o seu lugar ainda está vazio.

Obrigado!

Obrigado a todos que estiveram comigo na Mega Artesanal, que prestigiaram meu trabalho e que me dedicaram tanto carinho. Agradeço também a Henkel a oportunidade desta exposição, e a chance de conhecer tantas pessoas generosas, em especial a Fátima do Atelie Maria Flor. Obrigado a todos  e por tudo.