Com licença de Amadeo Modigliani

Colagem baseada na obra "A mulher do artista" de 1918

Estudiosos em artes plásticas dizem que a obra de Modigliani não se enquadra em nenhuma escola ou movimento artístico da época. Sua obra tem um estilo único, embora apresente algumas características do Expressionismo como a deformação, fundamentalmente no pescoço. Gostava de pintar mulheres, valorizou as cores como vermelho e o amarelo, e buscou mostrar alguns sentimentos humanos como tristeza e melancolia. Em alguma de suas pinturas, os olhos aparecem só marcados com tinta branca, dizem que ele só pintava os olhos de alguém se conseguisse  conhecer sua alma .
Teve uma vida breve. Boêmio, doente e viciado em drogas, morreu com 37 anos (1884 -1920). Parisot seu biografo, diz que vida de Modigliani  tem muitas lacunas e  mesmos os seus amigos mais íntimos não conheciam as suas verdadeiras intenções e desejos mais secretos. Assim se criou uma lenda. Seu grande amor Jeanne Hérbuterne,  gravida de 6 meses, suicida-se 2 dias depois morte do pintor.
Quando vejo um quadro de Modigliani há uma suspenção da  realidade, rendo-me a este feiticeiro da arte.

Encerrando as Marias Primavera de 2012



Obrigado Lunna Guedes. Fiquei honrada com a oportunidade de escrever sobre está doce estação em seu blog, que para mim é o santuário das palavras. Obrigado

Maria Primavera

Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda
Vê, como é bonita a vida
Vê, há esperança ainda
Vê, as nuvens vão passando
Vê, um novo céu se abrindo
Vê, o sol iluminando
Por onde nós vamos indo

Paulo Soleda

Amo as árvores e não tenho preguiça de varrer folhas.



É ela que joga uma florzinha  no meu cabelo só porque passei por perto
É nela que amarrei o meu primeiro balanço, e acreditei alcançar as estrelas.
É em sua sombra, o lugar mais aconchegante para ler um livro.
É  em seu tronco, que fica eternizada certas histórias de amor.
É para seu colo que foge os gatinhos, quando se sentem assustados e sem proteção.
É nela que moram centenas de passarinhos.
É ela que nos dá aula de renovação, quando no outono joga todas as suas folhas no chão e espera paciente as novas folhas que firam.
É dela o fruto que faz o suco  e torna mais doce a nossas manhãs.
É ela que perde a vida só porque alguém quer uma cadeira nova.
É ela que enfeita jardins, praças, portarias de prédios, quintais. Na maioria das vezes passa um dia inteiro sem receber um olhar.
É dela uma das primeiras formas que os pequeninos desenham no papel.
É nela que os antigos diziam que moravam os deuses.
É ela que purifica o ar que respiramos.


Maria Amiga


Foi na Casas das Rosas na Avenida Paulista, que conheci está Maria. Só poderia ser lá: São Paulo, história, rosas, tarde agradável, cafezinho,  poesia. Foi neste mesmo encontro  que ouvi  dela o maior elogio que poderia receber: “Mariacininha você se parece com seu desenho” nunca ninguém me fez um elogio tão grandioso. Foi amizade à primeira vista.
Esta Maria com “um jeito de quem nada quer”, parece que está sempre em outro planeta. Andar despretensioso, sóbria, simples, mas quando alguém de quem ela gosta se aproxima, logo nasce um doce sorriso. Disfarça, mas coloca emoção em tudo que faz, tem senso de humor, é criativa, brincalhona, e quando nem tudo dá certo, quer arrancar os cabelos.  Recomendo sair de perto.
Está sempre indo, não para. Anda sempre acompanhada de sua mochila, e quem tem olhos para poesia pode ver que dentro desta mochila tem; um castelo, uma lagrima de sereia, um livro querido, receitas de magias, folhas de árvore, corações cintilantes, sonhos contidos e sonhos inaugurados. Ah! de vez em quando carrega uma lua crescente nas mãos, mas só de vez em quando.
Assim é está Maria Amiga, uma amiga e Maria de carne e osso. Junto com seu aniversário comemoro também os dois anos do nascimento da Série Marias.
Que bom ter tantos motivos para comemorar.
Parabéns Francy's!

Maria Primavera 4


Esta Maria acha que a Primavera combina com:

Flor nos cabelos
Jarro amarelo de bolinhas brancas
Cortina esvoaçante
Calçada colorida pelas flores caídas
Canto de sabiá
As palavras seda, surpresa, veludo
Jardineiro
Lua e estrelas
Chuva, muita chuva
Poça d’água
Encontros
Nota musical
Quadros de Van Gogh
Fita colorida
Borboleta no nariz

E a sua Primavera combina com que?

Maria Primavera 3


Porque é quase Primavera.
"Ela me abraçava forte quando eu deitava, eu segurava firma suas contas cor-de-rosa com minhas duas mãos, fechava os olhos e me imaginava caminhando por infindável campo de flores. " Pise bem de leve", dizia Yasmina, "assim você vai conseguir ouvir a cação das flores. Elas estão cantando baixinho: salam, salam (paz, paz). Eu ficava repetindo o refrão das flores o mais depressa possível, o perigo desaparecia e eu caia no sono. Salam, Salam, murmuravam as flores, Yasmina e eu."

Trecho do livro : Sonhos de Trangressão de Fatima Mernissi

Maria Sabiá 4


Neste mês de setembro esta Maria tem a sua vida enfeitada pelo som do canto do Sabiá. Acorda de madrugada a sinfonia está na maior afinação, volta a dormir como se ouvisse a voz de um  anjo. E quando anda pela calçada procura sempre entres os fios, os telhados e as árvores onde está a encantadora criatura dona de um canto impregnado de magia e emoção, que inspira tantos poetas. 
 Maria, fantasia que assim como ela estes poetas tem dentro de si, pousado sobre uma pata, um Sabiá.
Pede então a companhia de: Roberta Miranda, Manoel de Barros, Chitãozinho e Chororó, Tom Jobim e Chico Buarque, para louvar os Sabiás.

Ah! to indo agora pra um
lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa
pra deitar
Em minha volta sinfonias 
de pardais
Cantando para a Majestade 
o Sabiá.
Roberta Miranda


A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá
mas não pode medir seus encantos.
A ciência não pode calcular quantos cavalos de força 
existem
nos encantos de um sabiá.
Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare.
Os Sabiás divinam.
Manoel de Barros


Ai quem me dera Sabiá
Ter seu canto e arrancar esta tristeza do meu peito
De um amor que não tem jeito.
Me dê asas pra  voar.
Chitãozinho e Chororó 

Vou voltar
sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
uma Sabiá.
Chico Buarque e Tom Jobim

Maria Primavera 2


Ciranda
Vem de um lugar chamado Flores
Esta ciranda
De tantas cores
Vem nos aliviar as dores
Os maus olhados
Os dissabores

Ó, cirandeiro, cirandeiro
Que faz ciranda o tempo inteiro
Só por folia
Só por amor

Vem de um lugar chamado Flores
Esta ciranda 
De tantas cores
Vem nos falar dos trovadores
Dos bem-amados
Dos benfeitores

Ó, cirandeiro, cirandeiro
Que faz ciranda o tempo inteiro
Só por folia
Só por amor

de Moacir Santos/ Gilberto Gil

Maria Primavera 1

Eu adoro o Outono é minha estação preferida. Mas como ficar indiferente a Primavera? Esta estação que coloca em alerta todos os nossos sentidos.
Escolhi está data 11 de setembro para iniciar uma seleção de Marias Primaveras, porque o mês de setembro combina com flor e não com horror.

..."Mas também é verdade que a aspereza de nossas vidas fez com que embotássemos os sentidos, que tivéssemos vergonha de nossos sentimentos e emoções. E, no entanto, oferecer uma rosa seria tão simples. Tão simples e urgentemente necessário"  Affonso Romano de Sant'Anna

Maria Regador


Ontem esta Maria foi passear no centro da cidade onde ela nasceu. Fazia muito tempo que não fazia isso. E olha que as coisas não melhoraram nada por lá. Calçadas quebradas, sujas,  muito lixo pelo chão. Lixeiras? Quando têm, quebradas.  Mau cheiro, os prédios deteriorados, alguns ainda deixam transparecer a bela arquitetura de outrora, o que reforçou o sentimento de tristeza de ver sua cidade ao abandono. Maria lamentou o pobre poder publico que tem está cidade.

Para piorar a temperatura alta completamente fora de hora, uma baixíssima unidade do ar e por consequente os poucos jardins e praças completamente secos. O verde deu lugar aos tons Siena e marrom. Poucas azaleias resistiram e ainda oferecem suas flores de final de uma florada sofrida pela falta de água.
Pela cidade de vez em quando um vento mais forte e quente levantava  poeira e derrubava no chão os totens dos vários candidatos a vereador e prefeito. Com todo gosto do mundo Maria pisou na cara de cada um deles. Lógico que foi só um gesto simbólico do desprezo desta Maria pelos políticos, mas foi quase o maior prazer do passeio.
De resto Maria voltou para casa com uma vontade imensa de ter duas asas poderosas e um enorme regador para regar todas as praças e jardins.

Maria senhora do tempo


Eu acredito que o tempo seja o Senhor de tudo, e que cada dia traz uma nova realidade, de um recomeço. A esperança não morre jamais se pensarmos que o tempo cura feridas, traz alegria, conforta o coração e por que não soluciona conflitos.
Eu acredito em dia após dia, em lagrima seca após um choro convulsivo, em sorriso brando depois de um abraço forte, de uma gargalhada ímpar depois de uma conversa.
Eu acredito que é possível ser feliz, pois felicidade é diária e feita de pequenos momentos. Momentos esses que ficam para sempre gravados no coração, impregnados na alma como perfume bom, fresco e suave de uma manhã ensolarada.
Eu acredito que tudo passa, mas o perfume vai ficar, o suspiro, a respiração, o olhar terno, e o sorriso tímido.
Eu acredito...

Caminhos & ( Des) Caminhos do Diário das quatro Estações de Letícia Alves

Maria Y e o Sr. X


Foi uma  querida e breve amizade. Por seis anos moraram no mesmo prédio. Todas as sextas à tarde a campainha do apartamento de Maria tocava, ela já sabia, era o Sr. X com as mãos cheias de caixinhas de DVDs. Fazia uma resenha de cada um antes de entregar os filmes, falava do diretor, da produção, se era um filme baseado em literatura, se era musical, falava sobre os atores e etc. O Sr. X  que só estudou até o curso primário, teve por alguns anos, uma coluna no jornal da cidade, onde fazia critica de filmes. Era um sujeito raro.

 O Sr. X tinha por volta de 76 anos, um sujeito mansinho, sossegado, discreto e pouco  sorria. Mas quando o assunto era cinema, se  transformava. Maria, nunca se esquecerá do dia em que ele lhe apresentou a versão antiga, de 1956, do filme Ana e o Rei, com Deborath Kerr e Yul Brynner, que magia, que belo filme, ou  De - Lovely  filme que conta vida conturbada do grande músico  Cole Porter, ou quando detalhou  a técnica do croma-qui (croma Key) com a mesma desenvoltura que falava das novas tecnologias de filmes, como Avatar. Maria guarda com muito carinho o DVD do “Carteiro e o Poeta” que ganhou do Sr. X, um filme que ambos gostavam muito. 

Esta semana o Sr. X se foi e para acalmar seu coração, Maria fantasia que, ele deve ter sido recebido lá no céu com fantásticos efeitos especiais e agora deve estar sentado em uma estrela falando com desenvoltura sobre as novas tecnologias do cinema para Alfred Hitchcock.

FIM