Bruxa Maria 2012


Esta Maria é Bruxa só por um acaso. Um vento travesso trouxe do mar ou do continente
uma porção de encantamento que atingiu Maria quando cantava em sua janela. Sua face
estremeceu, um galo cantou, um sino bateu. E Maria nunca mais foi a mesma.

Quem olha esta Maria de longe ou mesmo de perto não percebe nenhuma modificação,
continua andando de bicicleta, mas mantém, agora, uma vassoura roxa perto do portão. Não
usa bola de cristal, faz pesquisa no Google, mas vive assustada, e com torcicolo de tanto virar o
rosto na direção das sombras.

Anda com desejos irresistíveis e estranhos, como: costurar sombra e luz, fazer sopa de lágrima
de sereia com unha de galinha. Tem uma geladeira instalada na sua barriga, e perdeu a
capacidade de se apaixonar à primeira vista.

Mas ela começou a gostar dessa situação. Principalmente a parte da magia. Transformar sapo
em príncipe, ou príncipe em sapo, para ela é banal. Ela está à procura de outras magias, como
trazer as estrelas à terra, os anjos aos sonhos e iluminar florestas escuras com histórias.

Ser Bruxa para esta Maria é uma novidade. Porém, ela guarda em uma gaveta uma caixinha
antiga que abre nas noites de Halloween. Foi um presente da bisavó, que dizem, morava em
um tronco de árvore. De lá sai um caldeirão, uma vassoura dourada, uma capa roxa e um grito
sinistro. Maria nunca soube muito bem o que fazer com isso, só agora, depois que foi atingida
por um vento travesso. Na noite de Halloween, Maria deixa o caldeirão de lado, veste a capa
roxa e o grito sinistro, incrementa o figurino com teias de aranhas e um gato negro, pega sua
vassoura dourada e sai por aí varrendo as sombras.

Maria Abóbora


Como estamos à véspera do Halloween, momentos de magia bruxaria, e nós da cidade de São Paulo vamos decidir em segundo turno quem será o prefeito da nossa cidade. Esta Maria resolveu esculpir em uma  abóbora uma Jack Lanterna para  iluminar seu  caminho. Porque para ela os recursos interiores são importantes, mas ela jamais subestima a audácia da magia e da fantasia e de certo modo Maria Abóbora tem lá sua razão. Quem de nós, não conheceu em algum momento da vida, um sapo que virou príncipe, mas também um príncipe que virou sapo?
Que o voto seja consciente e que o domingo seja de sol.

Maria odeia horário de verão


Confunde a hora de dormir e a hora de acordar.
Confunde a hora de olhar pela janela  para ver o sol nascer.
É horário de verão, mas começa na primavera.
Confunde a hora de regar as plantas.
Confunde a florzinha “Onze horas” que abre ao meio dia.
Confunde a hora de acender o abajur da sala.
Confunde a hora da Ave Maria.
Confunde a  meia noite na  noite de Natal.
Confunde a chegada do Ano Novo
Confunde  o  banho que Maria gosta de tomar na escuridão do anoitecer iluminado por uma simples velinha perfumada.
Enfim, confunde os sentidos.
Pensando nisso Maria chegou a conclusão que  o horário de verão  não é ideia nem de cientista e nem de artista. É coisa de burocrata. E Deus nos salve desta praga nacional.
E dá uma sugestão: Caros senhores burocratas leiam poesia. Por exemplo, Raquel de Queiroz: “Cada coisa tem a sua hora, cada hora tem o seu cuidado.”

Paixão imprevisível

A paixão não escolhe alvo. De repente nos liga a algo imprevisível. Se acontecer se apaixonar, por porquinho cor de rosa ou coruja lilás, não se assuste, é possível viver com isso e encontrar poesia nas suas manhãs.

Mudanças


"O dia de hoje me mandou arrumar os cantos da casa e acho que consegui. Mudei umas coisas daqui, outras, dali... E pronto: inventei uma "nova casa". Ás  vezes é preciso inventar novos cenários para que a vida  não se sinta "pregada" as mesmas formas."
Trecho do  O Diário das Quatro Estações  Volume Noturno de Lunna Guedes

Maria Verbena


Dizem que a primeira professora é como o primeiro amor jamais se esquece. Eu jamais esqueci a Maria que foi minha professora pelos quatro anos do antigo primário. Ela me ensinou a ler e escrever, a conhecer os números, a reconhecer os rios e seus afluentes, a recitar poesia, a gostar de ler histórias, a encapar livro, a bordar as margens dos cadernos com flores e frutinhas  coloridos a lápis de cor.

Com ela aprendi a cantar. Jamais esqueci a musica das conchinhas, em que ela enfatizava a necessidade de obedecer nossos pais. Tenho guardada entre os meus guardados mais querido a sua carta de despedida escrita a lápis, porque no dia em que ela saiu daquela escola  eu estava doente e não fui a aula.
Tenho gravada na minha memoria  o primeiro dia em que a vi.

Tive vários professores alguns inesquecíveis outros fiz questão de esquecer, mas quando chega o dia do professor é sempre de Maria Verbena minha inesquecível professora que me lembro.
Parece que foi ontem.

Acredito que professor não é o que ensina, mas o que faz a gente se apaixonar pelo conhecimento.
Feliz dia do Professor.

Maria Francisco


Nasceu no dia de São Francisco, talvez por isso adore tanto os animais. Defende o meio
ambiente e faz coleção de imagens de São Francisco.

Porém, ela admite que certas pessoas não se encantam com o canto dos passarinhos. Não se
seduzem pelos coloridos das borboletas. Que não achem divertido seguir caminho de formiga.
Que não se apaixonem pelo olhar de cão. Que não apreciem a doce companhia de um gatinho.
Que não parem no meio da praia para acompanhar o voo de uma gaivota. Que não gostem
de ir ao zoológico para não ver os animais confinados. E nunca se interessaram por olhar
detalhadamente uma artística teia de aranha.

Correto. Nem todo mundo precisa amar os animais! O que ela afirma é que amar pode não
ser preciso, mas é urgente respeitar e compreender que o planeta tem que ser dividido
respeitosamente entre os humano e todas estas incríveis criaturas, para seu perfeito
equilíbrio e benefício de todos.

Agradeço a São Francisco, por ter colocado na minha vida, a Lua, esta incrível cachorrinha que me ensina todos os dias o que é ternura, paciência, companheirismo e amor incondicional. 

Com licença de Pablo Picasso

Colagem baseada na litografia de  de Pablo Picasso. "Mulher na Poltrona" 1948. Quarto estado negro.

Picasso, quando fez 80 anos, declarou a um jornalista "[...] Bem, diga-lhes que se não existissem espelhos eu não saberia a minha idade, e que levei oitenta anos para ficar jovem"  Quando advertido de que já tinha dito isto no sei septuagésimo aniversário, respondeu: "Bem, então diga-lhes que ainda acredito nisso!"

Trecho: " A criatividade envelhece? Coisas que nos fazem pensar se tudo tem hora de acabar" Mariacininha