Pra não errar seguir sempre o sublime!

Pra não errar seguir sempre o sublime! Muito Boa Noite!
Recorte e colagem inspirada nos desenhos a canetinha das crianças...

"Não há nada que resitas passagem da tesoura. Não há nada que exija a atenção concentrada da pintura ou do desenho, não há justaposições ou bordas a serem levadas em conta. E a pequenas criaturas extraídas de seu elemento tombam da tesoura em espirais tremulantes, precipitando-se como aqueles organismos frágeis que o mar lança na areia." Annelies Nelck sobre o recorte e colagem do mestre Matisse.


Noite


Noite
A noite acende o remorso daquilo que não fizemos durante o dia.
A noite nos dá chance de exercer nossa luz própria.
A noite  tem a forma de um grande abraço.
A noite junta, o antes e o depois.
A noite foi pintada por  Van Gogh  com azuis, violetas e verdes.
A noite é apaixonada pela saudade.
A noite pinta de negro as árvores.
A noite desperta vontades...
A noite dá existência às estrelas, ás lanternas e às mariposas.
A noite adormecemos em um quadro do Renascimento.
A noite tem a mágica das pinturas de Francisco Goya.
A noite é quando se junta tudo dentro de nós.


*Este post é parte integrante do projeto Caderno de Notas – Quarta Edição, do qual participam as autoras Aurea Cristina, Claudia CostaFernanda FarturettoLunna GuedesMaria CininhaMariana Gouveia e Tatiana Kielbeman

Simples




Algumas vezes achei a vida bem complicada, acredito que ainda é. Mas eu me tornei simples. Não quero pensamentos intrincados, nem amor complicado.

Nem achar nada difícil, a realidade me parece simples.

Dificuldade, problemas sempre existem, mas parecem agora não ser mais o fim do mundo. O que mudou?  Mudou a disposição de conviver com a complicação.

É muito melhor pensar simples e ter ideias simples.  Não quero mais brigar pelo miolo do pão, pelo lugar na fila, pela toalha molhada no sofá.  

Não me importa mais a cortina... mas a lua na janela.

Não me importa almofada... mas ler um livro deitada no chão.

Não me importa  mais a marca da caneta tinteiro... quero escrever com esferográfica.

 Não me interessa a briga... mas o convite pra tomar um sorvete.

Não interessa que o sol não apareceu... mas comprar um vaso de flor amarela.


Ser simples leva tempo, mas quando  se chega  lá percebe-se que sobra mais tempo  pra viver.



*Este post é parte integrante do projeto Caderno de Notas – Quarta Edição, do qual participam as autoras Aurea Cristina, Claudia CostaFernanda FarturettoLunna GuedesMaria CininhaMariana Gouveia e Tatiana Kielbeman

Desde que o mundo é mundo




Não vejo qualquer razão para estar limitado ao tempo cronológico. Tanto quanto sabemos, o universo não fica ao tempo vinculado. Tanto como sabemos, é mais uma construção nossa, este culto do relógio e a ideia que existe um passado, um presente e um futuro organizado desta maneira  de forma obediente e que nunca troca de lugar. Porém em nossa própria vida  sabemos que não é bem assim, porque nós os seres humanos são capazes de se mover com a imaginação, para frente e para trás e de sair do próprio corpo. Sim isso todos nós podemos fazer através da imaginação, e convenhamos pode ser uma realidade mais interessante do que  a realidade bastante monótona do relógio. Pela imaginação, nos tornamos criadores de realidades que incluem todas as possibilidades. Na imaginação  a recompensa está no próprio ato que é prazeroso e lúdico, e não na vantagem utilitária que se pode obter dele. É um puro sonhar poético que brinca com a realidade, que dá outras versões para ela e a enriquece.



Post integrante do Projeto Caderno de Notas - Quarta Edição.
Do qual fazem parte as autoras 
Aurea Cristina Szczpanski, Cláudia Costa, Fernanda Farturetto,Lunna Guedes, Maria Cininha, Mariana Gouveia e Tatiana Kielberman

Tempo do Sonho







Por que será que à noite,que quero que a coisa que sonhei a vida toda aconteça naquele exato momento? É sempre assim a noite precipita meus sonhos, os velhos e os novos. Os sonhos se alimentam talvez de estrelas e de nuvens escuras?  Parece que os sonhos durante o dia dormem em um canto banhado de sol e ficam ali, tranquilos quentinhos esquecem o tempo, e as urgências que todo sonho tem. Ficam displicentes, aguardam aconchegados aos “S” dos dias.

Á luz  diurna parece que posso aguardam os dias, os meses, os anos, até chegar a vez de um sonho acontecer... Até às vezes me divirto com a minha ansiedade estampa na  minha própria sombra que o sol desenha no chão.


Mas a noite eles saem do cantinho sorrateiros e sobem pelo meu corpo causando um frenesi. E eu pobre coitada fico refém. Embota meus sentidos e confunde os sentimentos e emoções. Sonhos à noite aumentam a chama, aquecem o sangue, feri o coração. Tento organizar, pedir paciência, coerência, parcimônia, mas nada adianta lá estão eles se arrumando dentro da mim de um jeito meio triste, e de repente começo a não falar coisa com coisa.

Post integrante do Projeto Caderno de Notas - Quarta Edição.
Do qual fazem parte as autoras 
Aurea Cristina Szczpanski, Cláudia Costa, Fernanda Farturetto,Lunna Guedes, Maria Cininha, Mariana Gouveia e 
Tatiana Kielberman

Correspondência com meninos e meninas de uma escola em Criciúma.


Continuando a deliciosa correspondência com meus queridos meninos e meninas de Criciúma. MUITO BOA NOITE! Até!

Maria Cininha - essa pergunta que eu vou fazer é muito importante: Você tem asas mesmo? (Bruno O).

Oi Bruno, Você sabe que as asas e as capas voadoras, como as dos Super Heróis, tem a ver com a magia. E a magia não é fácil de encontrar e observar. As vezes ela é invisível, como as asas de uma fada, por exemplo. Mas eu tenho sim asas! Para vê-lá é preciso crença e imaginação, e para crer e imaginar temos que passar por um portal e qualquer coisa mágica pode virar um portal: feijão mágico, um sapatinho de rubi, espelhos ou um querido livro.
Portanto para ver a magia é preciso crer e imaginar... Em breve estaremos juntos, quem sabe a gente tem sorte e minhas asas estarão visíveis? Um grande beijo pra você Bruno até breve.

Correspondência com meninos e meninas de uma escola de Criciúma.


Correspondência com as crianças da escola de Criciúma! Uma delicia...

"Como você aprendeu a ser artista de papel?" João Gabriel.

Oi João Gabriel, uma vez eu li um livro que contava a história de um artista mágico. Que mora na França, tinha barba e cabelo vermelho e olhos azuis. Seu nome Henri Matisse. Um mágico que desenha com tesoura. Você sabe que um livro as vezes transforma a nossa vida.Não é mesmo? E foi assim que apaixonada pelo que descobri naquele livro e pelo trabalho de Matisse entrei para o mundo do recorte e colagem... Um grande beijo pra você João Gabriel e até breve. Obrigado.

Correspondência com meninos e meninas de uma escola de Criciúma.


Minha correspondência com as crianças de uma escola de Criciúma em Santa Catarina.

"Maria Cininha faz mais recortes e colagens de meninos?" (Breno O)

Oi Breno, você tem razão faço poucas colagens para meninos...rsrsrs, mas isso não quer dizer que não gosto de fazer colagens de super heróis e de meninos. Por exemplo hoje trouxe pra conhecer você o Dr. Ludicus, adora brincar! Dá pra perceber não é? Olha só o carrinho dele! Pelo jeito gosta de brincar de fazer experiências. Beijo, obrigado e até breve! Maria Cininha

NovaExposição Coletiva


Por ela um país se veste de verde amarelo e torce para que ela seja abraçada por uma rede. Quando aparece no céu pintada de  prateado os corações românticos suspiram! Quando sua cor é dourada, damos graças  por  mais um dia...

Platão a descreveu como símbolo da psique. Quem nunca cutucou um pequeno Tatu Bola, para que nela se transformasse? Na Psicologia  simboliza o Self, incluindo o relacionamento entre homem e natureza.

Estou me referindo à esfera, que de formas distintas está sempre presente na nossa vida. Símbolo da totalidade, a esfera equivale ao infinito. É igual a si mesma, com os atributos de homogeneidade e unicidade.
É este magnifico suporte a esfera ou se preferirem a bola que  escolhi para contar histórias. As minhas, os eternos contos de fadas, ou histórias que leio em livros, ou que me foram contadas...

Se as esferas são símbolo do infinito as histórias são eternas. Ambas são  tão intimas que a melhor maneira de se ouvir histórias e se sentar em circulo, como faziam os nossos ancestrais quando ouviam histórias em volta de uma fogueira. Assim, diz a lenda, em circulo ouviam as histórias e ali  presa por aquele circulo, as histórias se transformavam em grandes bolas e alcançavam os céus. Foi assim que os anjos se tornaram contadores de histórias e as noites dividem estas  com os humanos através dos sonhos...

Convido a todos vocês para está linda exposição. É uma exposição coletiva, estarei presente  com três trabalhos. Por lá, no meio daquelas bolas, “daqueles mundos”, criamos a possibilidade de conceber o desenho de uma história significativa para cada um de nós.


MARIACININHA


Galeria Entre Cores - Rua Lima barros, 52 Jardim Paulista 19.30H
Galeria de Arte da Casa de Portugal - Av. Liberdade 602 Centro S. Paulo 19,30H

Capa do Livro Lua de Papel

ARTE DE MARIA CININHA ILUSTRA A CAPA DE LUA DE PAPEL

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Maria Cininha é uma figura múltipla. Colorida. Avessa às coisas mais simples. Uma colecionadora de cores… suas criações partem do lúdico pra atracar nessa realidade. Usando papéis, cola, tesoura e tudo mais que lhe surgir diante dos olhos ela brinca e nos convida a brincar com ela…
Maria Cininha foi convidada a ilustrar a capa da novela “lua de papel” escrita por Lunna Guedes e que será publicada pelo selo “Scenarium Plural” no dia 29 de maio, a seguir, na entrevista feita por nós, a “dama das cores” nos conta um pouquinho como foi criar a capa de “lua de papel”…

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Scenarium – como surgiu o convite para fazer a capa do livro “lua de papel”?
Maria Cininha
 – foi uma surpresa receber o convite da Lunna Guedes… foi um desafio que eu aceitei com toda satisfação e cuidado. Eu sei que não se compra livro pela capa, mas tenho pra mim que a capa é a janela para um mundo novo que ali se abre, portanto é uma grande responsabilidade.
Scenarium – o que te inspirou na hora de “construir” a capa? Maria Cininha – enamorei-me do titulo de cara “lua de papel”. Lindo! Depois li alguns trechos da história e descobri que a trama narrava um romance entre três mulheres. Creio que a atitude de quem ilustra ou faz uma capa é adotar o texto e desenvolver sua empatia para com ele permitindo nele acolher a imaginação. Tudo fica mais fácil a partir de então.
Scenarium – “Lua de papel” trata, entre outras coisas, de um relacionamento entre três mulheres. As Marias que você cria são figuras lúdicas, poéticas, sensíveis e o tema proposto pela autora Lunna Guedes, embora seja cada vez mais comum junto a nossa sociedade, ainda é um tabu que esbarra em um preconceito cada vez mais escancarado… em algum momento houve da sua parte uma preocupação sua com as imagens das Marias ao ilustrar a capa do livro?
Maria Cininha – não, de maneira nenhuma, as Marias não têm idade, nem espaço próprio, talvez só os espaços da fantasia… elas transitam pelos assuntos vários. Possuem voz, reclamam, gritam. Ao mesmo tempo são sujeitas doces, poéticas, brincalhonas, fantasiosas e, que tem como missão maior despertar nas pessoas a importância do lúdico…. e o que é mais lúdico do que um autor que escreve o seu texto, que cria um mundo imaginário para reinventar a vida, ou para falar de outras possibilidades de vida? Portanto as Marias se sentem a vontade para morar na capa de “lua de papel” que aborda um assunto que ainda – infelizmente – é um tabu, mas que tem nesta história mais uma possibilidade de se transformar.
Scenarium – como foi o processo criativo da capa?
Maria Cininha – como disse o nome me seduziu de imediato, então eu deixei que o senso lúdico me conduzisse, acompanhado do referencial literário que tinha como fio condutor e sempre contemplado da importância do trabalho e do caminho que o livro vai abrir no coração de seus leitores. Não posso negar que fiquei tensa!
Scenarium – qual a diferença em criar uma arte a partir de uma proposta sua e a partir dos escritos de outra pessoa, como foi com a novela “lua de papel”?
Maria Cininha – ah, é diferente! Ilustrar o texto de outras pessoas é refazer o caminho do autor, dando a este caminho cores e formas. É preciso pisar de mansinho por este caminho, afinal uma criação literária vai além do seu mero significado, uma vez que ela vem imbuída de significações.
Em Lua de Papel, a simples cena da capa, é uma síntese dos sentimentos que vivi ao participar de alguns momentos com a autora a partir da leitura 
da trama. obra e da responsabilidade de participar da capa de uma obra literária, fonte de maravilhamento e reflexão pessoal, que nos torna mais críticos diante do mundo.
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Na minha pele o crepúsculo a crepitar


..as cores no céu a fingir o azul, o vermelho e o laranja. O vento a dizer folhas e eu a lembrar do tempo em que corria pelos quintais apenas para pegá-las em minhas mãos - detendo-as - para um desejo realizar... Eram outros tempos - outros meses - nada disso cabe em abril... esse mês que aos poucos escorre pra fora do calendário.

Se dei por ele? Não sei - há o que se lembrar certamente -, mas ainda não posso dizer o que é memória aqui dentro de mim... talvez quando maio chegar com suas trovoadas, porque maio segue sendo pra mim o tempo dos ruídos dentro do azul, com suas trovoadas estridentes...  maio não começa nem antes ou depois, acontece quando a primeira trovoada se faz ouvir... E algo me diz que esse ano, as trovoadas, irão se demorar junto aos céus... e abril continuará a existir dentro dos dias que não lhe pertence!

O silêncio trouxe dias frios nos últimos dias. Trouxe também as sonoridades erradas. Tumultos e tempestades humanas - inquietudes - o silêncio foi varrido para longe. Levado pelos pássaros que não cantaram em minha janela. Foram embora. Não sei exatamente para onde... Sei apenas que não ouvi aquele canto agradável dentro da madrugada, nem pela manhã ou pela tarde.

Quem veio para dentro das tarde de abril foi o sol ameno com seu falso dourado a aquecer onde não há sombra. Pouco visitei calçadas, mesas de café... Pouco sai de mim - ficando detida dentro da pele - em minhas ausências. Fui outra e acho que me esqueci em alguma esquina com o corpo a deriva, sendo entregue a um transeunte qualquer que passou por mim...  me ofereci em gotas - palavras a quem quisesse me ler - me prostitui dentro de abril  sem profanar minha mortalha...


-- 
Lunna Guedes -
Editora - Revisora e Escritora
Revista Plural e Scenarium Publicações

Bom Carnaval.


Não gosto de carnaval, pelo menos o que está por ai. Porque entendo que para ser genuína a alegria tem que ter intervalos, tem que ter  tempo para o sorriso e o olho no olho além dos momentos de descontração. Por isso este carnaval não é pra mim, não acredito em alegria , com compromisso com o extravasamento desmedido e sem espaço para delicadeza.
Assim escolhi o Pierrot, esta figura, apaixonada, romântica e sonhadora, para desejar a todos um bom carnaval a quem gosta e bom descanso para quem não gosta.

                

Temperatura no Vermelho



Diz a lenda que as roupas têm uma vida secreta. Que à noite se reúnem nos armários para discutir suas vidas e, principalmente, a vida de quem as veste.
Lenda à parte, eu acredito que não exista peça de roupa com mais personalidade e estimulante vida secreta do que um vestido vermelho.
Um vestido vermelho é impregnado de desejo, paixão e erotismo. O vermelho é a cor  dos extrovertidos e do primeiro plano. Marcado pelo simbolismo de duas vivências elementares, o vermelho é fogo, o vermelho é sangue.
A nossa narrativa pessoal passa inevitavelmente pela roupa que vestimos, pela maneira de ficar dentro dela, e pela forma como carregamos esta roupa.
Vestir-se com um vestido vermelho é vestir-se de poesia. Quem não se lembra do lindo vestido vermelho que Julia Roberts usou em 1990 no filme “Uma linda Mulher”? Ou ainda dos vestidos vermelho-sangue e vermelho-vinho das vampiras do filme Eclipse? Ou dos lindos e atemporais vestidos vermelhos de Valentino.
Não é nenhuma leviandade seduzir-se por um vestido vermelho, e, segundo o próprio Valentino, uma mulher de vermelho está sempre magnifica. E eu acrescento: com temperatura do corpo alta!




Este post é parte integrante do projeto “Caderno de Notas – Segunda Edição”, do qual participam as autoras Ana Claudia MarquesIngrid CaldasLuciana NepomucenoLunna GuedesMaria CininhaTatiana KielbermanThelma Ramalho e a convidada Mariana Gouveia.

Dicionário poético das Marias Parte 1

Dicionário poético das Marias

Ameaça- Palavra que tem a palavra bandido dentro dela.
Amigo- palavra que tem dentro de si um escudo, não te fere e não deixa ninguém te ferir.
Desfrute – Palavra que tem plantada dentro de si um pé de mexerica.
Maria – palavra que não perdeu a meninice.
Perdão – Palavra que quando se  junta com a palavra dor, vira a palavra imperdoável.

Sozinho – Palavra que não espera por ninguém.

Um Amor que é só amor

São três horas da manhã e estou sentada no tapete sala. Eu e a Lua, minha cachorrinha  de doze anos. Ela anda tendo acessos de tosse, o veterinário já avisou que é o seu velho coração. Isso está me entristecendo muito.
Ela acomoda sua cabeça no meu colo, me olha nos olhos, eu acaricio seu cabecinha, e agradeço por tudo o que ela me ensinou. E falo baixinho:

Com você voltei a brincar e a saudar todas as manhãs.
Com você aprendi que a saudade pode se instalar pela ausência de alguém quando alguém se ausenta só por um minuto ou por vários anos, e que, em qualquer um dos casos, a saudade é quase sempre igual.
Com você eu aprendi a olhar o nada pela janela, só por olhar e ficar ali por quanto tempo quiser.
Com você aprendi que o mundo tem mais mistérios do que eu possa imaginar. E que você sabe o cheiro de cada um deles.
Com você aprendi a ter paciência, a esperar, a ser menos exigente, e reconheci o quanto é gratificante ter você na minha vida.
Com você aprendi o que é companheirismo, e que quem ameaça não é um amigo.
Com você aprendi a tomar vento no rosto um pouco antes de começar a tempestade.
Com você aprendi a comer devagar, a dormir mais e a beber muita água.
Que a alegria deve ser comemorada, anunciada e festejada.
Que você nunca faz cara feia e está sempre disposta a receber e dar um carinho.
Que pra você sou sempre importante, que seu amor por mim é sem limites e que nunca mediu o amor que tenho por você.
Com você aprendi a envelhecer e não deixar a velhice se instalar em mim. Os cachorros guardam o tempo em seus olhos cuidadosamente. Guardam cada minuto, cada hora e cada dia de sua existência, sem revolta pelo tempo passado e sem ressentimento.

Ela adormece ao som dos meus agradecimentos. Saio devagarinho, e ela fica dormindo, no tapete banhada pela luz da lua cheia. Olho aquela cena mágica e penso:

Minha doce Lua. acho que sempre vou me lembrar desta madrugada. Quando você for embora, o mundo não será mais o mesmo para mim.


- este post é parte integrante do projeto Caderno de Notas - Segunda Edição do qual participam as autoras Ana Claudia Marques, Ingrid Caldas, Luciana Nepomuceno, Lunna Guedes, Maria Cininha, Tatiana Kielberman, Thelma Ramalho e, a convidada Mariana Gouveia.

Simples assim...


Espaço poético da recordação.



Espaço poético da recordação.
   



...uma imagem poética pode ser o germe de um mundo,
o germe de um universo imaginado diante do devaneio de um poeta.

Gaston Bachelard


Passa das duas horas da manhã quando ela chega em casa. A maquiagem borrada, o cabelo em desalinhado, o par de sapatos altos nas mãos. Abre a pequena bolsa prateada de festa que leva nos ombros e lá encontra uma rosa branca  murcha, que algumas horas atrás tinha recolhido da decoração da igreja.

Ela acaba de casar o único filho e seu coração tem uma mistura de sentimentos que não consegue decifrar. Olha ao redor, está sozinha, se joga no sofá e fica por uns minutos olhando para as paredes da sala, com a rosa murcha nas mãos. Pensa em tomar um banho, mas não tem forças. De repente, seus olhos pousam em um pequeno baú de madeira antigo em um cantinho da sala. Pisando na barra do vestido longo de festa vai até ele e abre sua tampa.


Aquele não é um simples baú, é o livro de sua vida. Ali dentro, cada um dos objetos guardados são como partes de um livro que foram sublimadas, com a mesma finalidade que se sublima partes de um livro para que os momentos e as imagens não se percam.


Os objetos que habitam aquele velho baú guardam em si testemunhos de grandes momentos, e têm com ela uma relação tão íntima que passaram a fazer parte de sua identidade. Ela, com cuidado, coloca a rosa murcha em um cantinho, para eternizar o momento emocionante do casamento do filho.


Afinal, é um velho baú de recordação, mas em nenhum momento de sua vida deixou de ser dinâmico, guarda percurso de sua vida, às vezes, mais intensamente, outras vezes, mais lentamente, pois a história acontece de formas diferentes a cada dia.

Pensa que já foi motivo de chacota por causa daquele velho baú, “mania de guardar coisas velhas”, mas não se importa. Vai até a sacada e olha o céu. Afinal o céu estrelado também é  um velho baú. É uma fotografia tirada a milhões de anos, muitas das estrelas que vê agora já se apagaram.

Ali naquele pequeno espaço está o livro da sua vida, não de folhas escritas, ou anotações de caderno, pequenos objetos biográficos que guardam o visível e o invisível. Guardam histórias vividas e algumas mal iniciadas deixadas pela metade. O que foi ou o que poderia ter sido e não foi. Antes de fechar o baú, acaricia a rosa e sorrir pro dentro. No momento, aquela é a última página.


Este post é parte integrante do projeto “Cadernos de Notas – segunda Edição” do qual participam as autoras Ana Claudia Marques, Ingrid Caldas, Luciana Nepomuceno, Lunna Guedes, Maria Cininha, Tatiana Kierberman, Thelma Ramalho e a convidada Mariana Gouveia.


Muito boa semana!

Que o verão seja mais brando.
Que a fé seja infinita.
Que a semana seja leve para todos nós.

Menina que eu fui



A menina que eu fui


Para escrever sobre a menina que eu fui, eu desejei ter escrito uma carta para mim mesma quando tinha 10 anos para ser aberta neste momento. E lá nas suas páginas amareladas estaria escrito que eu fui uma menina que acreditava que tinha sempre uma linha geométrica organizando o seu caminho. Tinha medo de escuro e procurava a sombra dos passarinhos nas árvores na noite de lua cheia. Era convencida de que teria asas grandes quando fosse adulta. Acreditava que as flores tinham o poder de curar coração ferido, e que elas, as flores, cantavam baixinho durante a noite. Acreditava nos sonhos e que os sonhos tinham luz que não vinham nem da lua, nem das estrelas, nem do sol, mas da magia interna de quem sonha. Acreditava que ninguém é feliz se não tiver um jardim, porque é lá que se aprende o que é beleza. Que um anjo morava em uma garrafa azul que tinha na prateleira da cozinha. Que a noite procurava estrelas caídas do céu nos cantos do jardim e as luas refletidas nas poças d'água do chão. Que eu gostava de piqueniques, de guarda-chuvas subir em árvores, pular amarelinha e de bala de goma. Gostava de brincar com papel, seguir caminho de formiga e acompanhar os voos dos passarinhos. Uma vez, levantei de madrugada para pegar na cristaleira o relógio de bolso de meu pai só para passar o dia inteiro com ele: foi o dia mais longo da minha vida. Acreditava nas coisas que não existem e descobriu que as certezas tendem a desfalecer. Não sabia tabuada de cor, senti frio na barriga, tinha uma fada e uma bruxa que eram donas da minha imaginação e me apaixonei à primeira vista.


Mas não escrevi uma carta para mim mesma quando tinha 10 anos...

este post é parte integrante do projeto Caderno de Notas, Segunda Edição do qual participam as autoras Ana Claudia marques, Ingrid Caldas, Luciana Nepomuceno, Lunna Guedes, Maria Cininha, Tatiana Kielberman, Thelma Ramalho e, a convidada Mariana Gouveia.





Parabéns São Paulo.



Hoje é aniversário da minha cidade. Cidade que meus avôs imigrantes escolherem para viver e formar suas famílias. Cidade que nasceram meus pais, meus filhos e as minhas Marias.
Hoje não morro mais amor por ela, o amor não resiste aos maus tratos e a ameaças e se pudesse não moraria mais aqui. Porém a terra onde se nasce, não sei de que maneira é impregnada em nossos poros . Por isso homenageio  São Paulo com a música de um artista que é a sua mais completa tradução : Adoniram Barbosa, com licença de Rita Lee.
Adoniram este paulista que cantou a cidade, seus costumes, seus personagens e seus cantinhos como nenhum outro. Se voltasse hoje não reconheceria mais a sua cidade e nem os seus cantinhos. A não ser que voltasse em uma tarde de verão do mês de janeiro...
Parabéns São Paulo!

http://youtu.be/xvYO3z8q-QY






Feliz aniversário!


Feliz aniversário minha querida cachorrinha Lua. Obrigada São Francisco  por conservá-la mais um ano ao meu lado. Minha fonte de ternura e minha inspiração.

Feliz Dia de Reis


Assim como os três reis magos que seguiram a estrela guia
A bandeira segue em frente atrás de melhores dias
No estandarte vai escrito que ele voltará de novo
E o Rei será bendito, ele nascerá do povo... (Bandeira do Divino)

O ano novo!

Esta Maria é adepta da filosofia Budista. Faz meditação em frente a querida imagem de Iemanjá, que é adornada com flores e com um terço – de contas de cristal – que ela trouxe quando visitou o Vaticano. Ao som de uma música Zen, traz nos olhos ainda o brilho dos fogos de artifício da noite de Réveillon.
No mais continua com seus pequenos rituais diários, como ter uma coruja verde e um elefante amarelo com o rabo virado para porta principal da casa e uma medalhinha de nossa Senhora das Graças no pescoço. Também tem um nariz de palhaço pois sabe que este ano tem eleição. Toma café em uma xícara dourada e enfeita a casa só com flores amarelas. Tudo isso para não ter muitas incertezas quanto ao novo ano. Boa sorte Maria.