A Fada no Reino da Terra do Sol.


A Fada no reino do Sol
As fadas dos livros ou de nossa imaginação, voam sobre palácios, reinos encantados e os jardins mais belos e floridos. Mas uma fada, de carne e sangue, voa por um mundo, que na maioria das vezes, não tem nada a ver com a fantasia. Assim foi, no fim de semana de 19 a 22 de novembro de 2015, em um voo, inesquecível, sobre a terra do sol!
Encontrei princesas sim! De sorrisos... contidos. Procuravam apoiar a timidez  arrastando suas costas pela parede ou por um adulto, intimo, que estivesse próximo. Os pés, são da mesma cor do chão, porque a poeira, afinal, assume o lugar do sapatinho de cristal. Os cabelos, os mais variados; Loiros, morenos, negros. As tiaras de diamante, é o sol que brilha sobre suas cabeças. Se o sol é escaldante e castiga, ele recompensa, bordando a mais densa sombra que já vi no chão.
Em alguns momentos é tão difícil arrancar um sorriso daquelas meninas, que muitas vezes, desejei desenhar um sorriso enorme, em suas sombras no chão...

Ah! os príncipes. Valentes meninos. São arredios, ficam de longe como se fossem enfrentar uma batalha. Trazem os pés no chão ou num chinelo empoeirado. O manto é o sol.  Manto que não tem a leveza do veludo, mas que não impede que joguem bola ou se exibam para fotografias, escalando árvores, ficando de cabeça para baixo...
Um reino sem palácios, casas simples de tijolos ou Taipa. A torre, é a da única e modesta igrejinha os portões e as pontes elevadiças são os mandacarus, facheiros e os xique  xique que com seus espinhos formam uma muralha de defesa.

Por todos os lados, encontrei Baleia a personagem de Graciliano Ramos, brancas, malhadas, negras, marrons, todas exibiam seus ossos a olho nu, sujas se arrastam atrás de seus donos e ostentam um olhar baixo, mas doce, assim como descreve o autor em sua obra, Vidas Secas.
Tesouro? Só o que possuem dentro de si.

Quando conhecemos um novo lugar, mesmo as fadas, sempre o confrontamos com os que levamos na imaginação, pois sempre temos uma enorme e poderosa construção do desconhecido, não foi muito diferente, mas o que é mais impactante é você estar inserido nesse cenário, se imaginar lá e estar lá, é muito diferente!
Ali, no meio daquelas meninas e meninos, pensei em Portinari. Será que ele foi até o sertão, em 1944 quando pintou sua obra “Os Retirantes”? Talvez, de agora em diante, vou me ver no quadro de Portinari e acrescentar a cena da chegada do projeto à cidade de Floresta. Foi emocionante!
Eu sempre acreditei, que a arte não se encerra só no fazer solitário   de um ateliê ou de um estúdio.  Sempre achei que a arte se alimenta do dinamismo, da vida e não do marasmo,  ainda que a criação em si seja um ato solitário.

No decorrer desse projeto, isso ficou mais claro para mim, cresci como artista e como pessoa. Ganhei novas amizades, estendi laços, conheci realidades diversas e me emocionei muitas vezes, com os atos de carinho, solidariedade e com as histórias. Mas a entrega dessas doações, fez ampliar minha visão sobre a própria arte.

Ao ver minhas meninas, nas faixas da escola de Belém de São Francisco, dando boas vindas as Marias de carne e sangue que ali chegavam, me emocionei.  Agradeci a Deus ter me feito uma artista, pois a arte me possibilitou trilhar caminhos não só de glorias, mas com pedras, linhas retas e curvas, entre o branco luminosos e o preto denso, que assusta e que traz alegria. Enfim a busca pela graça e pela transcendência. Uma arte não pela eternidade, mas pelo sentido.
MC.

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