RoMaria de livros...


Pensem em um mar que cabe dentro de uma caixa azul. Nesse mar mora uma sereia, também com rabo azul e que gosta de ler e contar histórias para uma baleia, que de tanto ouvir história se apaixonou pelos livros. 
Assim será RoMaria de livros, um mar de histórias para contar...

Muito Boa Noite!


Em tempo...


O tempo, constrói uma caixa dentro da gente, para guardar os silêncios.Pois o silêncio existe para fora, mas não existe para dentro...
E o tempo não é tão destemido assim. O tempo, tem medo da fantasia...

Poesia de Fernando Coelho


Maria, a arte beija teu jeito sonso. Te guardo, quieto, num pedacinho de papel. Simples como uma talisca de nuvem. Onde eu escrevo o teu corpo imaginário. Eu te amo na junção de todas as cores da aurora boreal. Tu, Maria, és a própria arte, pura, congênita, imperial, florescente, igual ao hálito dos pintassilgos. E só. Poesia de Fernando Coelho

Maria entende que é melhor regar a esperança agora, enquanto cremos.

Maria entende que a gente pode se dar as mãos. E que o silêncio é para esconder algum ódio dos lábios. Maria entende que é melhor regar a esperança agora, enquanto cremos. Maria ensina que é mais fácil não esconder uma desculpa, não negar um olhar de ternura, não permitir que o enternecimento fuja. Maria se compromete comigo não porque me deixa melhor como pessoa, mas porque sabe dividir perfumes, partir o mesmo pão em mil e a beber fé, seja com chuva, evitando pessoas ruins ruminando agressividade tosca, com vinho ou até mesmo salvando a vida de uma lágrima. Maria me ensina amor, por isso escrevo sobre o amor. Maria, menina ainda, pegou um rio onde nasceu e fez dele uma árvore, um ninho, uma montanha, um peixe. Por isso ela carrega nascentes entre os dedos. Maria é um pedaço da humanidade entre flores e estilhaços de paz. É linda, Maria. E só. Poesia de Fernando Coelho

Foi Deus que fez...



Foi Deus que fez o céu, o rancho das estrelas
Fez também o seresteiro para conversar com elas
Fez a lua que prateia a minha estrada de sorrisos
E a serpente que expulsou mais de um milhão do paraíso...
Luiz Ramalho


Vida de Maria.
Maria Sibylla Merian
Foi, uma cientista e ilustradora alemã que viveu no século XVII. Maria se apaixonou muito cedo pela metamorfose dos insetos. Essa paixão se transformou em uma importante contribuição para o campo da entomologia e para a história da ciência. Cada passo desse estudo foi desenhado e ilustrado pela própria Maria com riqueza de detalhes.
Sentada no jardim, ainda menina, seguia os insetos quase invisíveis. Não aos olhos dessa Maria. Observava como se desenvolviam. Como se organizavam e como sobreviviam. As transformações, esforços efêmeros e o curto tempo de vida. Desenhava suas asas, as pernas o formato da cabeça, os pequenos olhos. Repetia incansavelmente os desenhos e muitos desses desenhos iria mais tarde iluminar a ciência.
Sua lista era extensa e por isso ficava muito tempo no jardim ou em expedições aos jardins vizinhos: gafanhotos, vagalumes, besouros, libélulas, pulgões, cupins ,borboletas e etc.. Maria, porém, tinha predileção pela metamorfose das borboletas e das mariposas. Naquela época, século XVII, as pessoas consideravam do mal os insetos que passavam por metamorfose. Acreditavam que além de sinistro era coisa de bruxaria que transformavam um inseto de um estado para o outro.
Mas Maria sentada em seu jardim e em um pequeno laboratório, observou meticulosamente e atentamente a metamorfose das borboletas e mariposas provando que o processo não tinha nada de bruxaria, era um processo natural. Maria, nessa época, só tinha 13 anos.
Maria cresceu, se casou, teve filhos, se divorciou. Mas não abandonou sua grande paixão. E os jardins já não comportavam mais sua curiosidade e Maria precisou de um jardim maior. Fez expedições à África do Sul para continuar a estudar e desenhar as borboletas e as mariposas e novos insetos. Em uma época que a mobilidade de uma mulher sozinha era praticamente nenhuma. A determinada e corajosa Maria ainda levou em sua companhia sua pequena filha.
Maria Sibylla Merian - nasceu em 02 de abril de 1647 e morreu em 13 de janeiro de 1717.

Não sabemos ler o mundo



Falamos em ler e pensamos apenas nos livros, nos textos escritos. O senso comum diz que lemos apenas palavras. Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo. Nós lemos emoções nos rostos, lemos os sinais climáticos nas nuvens, lemos o chão, lemos o Mundo, lemos a Vida. Tudo pode ser página. Depende apenas da intenção de descoberta do nosso olhar. Queixamo-nos de que as pessoas não lêem livros. Mas o deficit de leitura é muito mais geral. Não sabemos ler o mundo, não lemos os outros.

Vale a pena ler livros ou ler a Vida quando o acto de ler nos converte num sujeito de uma narrativa, isto é, quando nos tornamos personagens. Mais do que saber ler, será que sabemos, ainda hoje, contar histórias? Ou sabemos simplesmente escutar histórias onde nos parece reinar apenas silêncio?

Mia Couto, in 'E Se Obama Fosse Africano?

Foto: Castelo Real de Alcazar Sevilha
Muito Boa Tarde!

Paradoxo da arte


“Aquilo que não encerra utilidade, nem verdade, nem valor simbólico, mas também não acarreta consequências nefastas, pode ser apreciado mediante o critério do encanto que ´possui e pelo prazer que provoca. Esse prazer, dado que não tem consequências um bem ou um mal digno de nota, constitui um jogo”
Platão estava falando da arte e “um jogo” é o lúdico, que se situa fora da vida prática, nada tem a ver com a necessidade ou utilidade, com o dever ou com a verdade, mas que é parte fundamental da criatividade.
Tom Waits (adoro, I hope  that i don't fall in love with you) disse em uma entrevista que se libertou quando compreendeu a insignificância da arte, compor passou a ser menos doloroso  e afirma: “a única coisa que eu faço, na verdade, é criar joias para enfeitar a mente dos outros. “
Portanto a arte vive um paradoxo de ser totalmente insignificante, porém profundamente significativa. E o artista? Ah ele vive tentando estabelecer alguma ordem ao saltar de um extremo ao outro, mas não se furta o prazer do encantamento, e costuma andar de braço dado com a ousadia... Muito Bom dia! MC


Eles chegaram...

“(…) E saíram eles, pelas solidões dos desertos, montados em seus camelos, atraídos pela luz de uma estrela (…)”
Dizem que eram reis. Não eram. Um rei que abandonasse o reino e saísse a andar pelos caminhos do mundo seguindo a luz de uma estrela seria deposto pelos generais: havia enlouquecido. Não, não eram reis. As Sagradas Escrituras dizem que eram magos. O dicionário Webster me informou que “mago” designava, originalmente, alguém “pertencente a uma casta de pessoas educadas e eruditas na antiga Pérsia”. Alguém que vivia para estudar, para saber. Próximo a um filósofo. Os magos dessa estória consultavam os astros no céu para compreender o caminho dos homens na terra. Eram astrólogos. Para a Astrologia, os céus são um espelho onde os mistérios da terra parecem resolvidos.
Pois esses magos, examinando os céus, descobriram uma estrela brilhante como nenhuma outra. Ficaram fascinados com seu brilho. E essa estrela lhes contou que ela, desde tempos imemoriais, estivera procurando a mesma coisa que eles procuravam. Seus raios haviam varrido o universo desde o seu início até o seu fim, na busca daquilo que dá sentido ao existir. Inutilmente. Mas, de repente, quando seus raios acidentalmente incidiram sobre esse planeta insignificante chamado Terra, encontraram um brilho que não haviam encontrado em lugar algum. Ela compreendeu, então, que aquilo que ela havia procurado nos céus não se encontrava nos céus, entre as estrelas. Se encontrava na Terra. A estrela disse então aos magos que deixassem de olhar para ela.
Que olhassem antes para o lugar, na Terra, que sua luz iluminava.
Foi assim que a sua longa jornada começou, seguindo o caminho que a luz da estrela indicava. E, ao final de sua longa peregrinação, chegaram ao lugar procurado. Banhado pela suave luz azul da estrela, em meio a vacas, jumentos e palha, se encontrava um nenezinho. Eles, então, foram iluminados. Não pela luz da estrela. Mas pela luz da criança. Perceberam que sua busca havia chegado ao fim. Aquilo que os adultos esqueceram e que a sabedoria busca – as crianças sabem. Ser sábio é ser criança. O universo é um berço onde dorme uma criança.
E desde aquele dia eles deixaram de olhar para as estrelas e passaram a olhar para as crianças.
Texto de Rubem Alves 

Reis Magos de 2011 a 2015