Texto de Fernando Coelho



Maria criou um buquê de lâmpadas. Inventou uma cortina de gotas, suspensa entre as mãos. Maria tempera orvalho. O meu amor por Maria transborda sem bordas. Maria bota colheres de mel na boca de abelhas que perderam a hora. Maria tem um lápis de onde sai gente que não teve infância. Maria desenha uma cópia de mim, num pedaço de chuva. Maria tem um sino de ouro nas pálpebras. Maria se inventou para que eu a inventasse. É o meu amor. É Maria, a rara. E só.

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