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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Temperatura no Vermelho

Diz a lenda que as roupas têm uma vida secreta. Que à noite se reúnem nos armários para discutir suas vidas e, principalmente, a vida de quem as veste. Lenda à parte, eu acredito que não exista peça de roupa com mais personalidade e estimulante vida secreta do que um vestido vermelho. Um vestido vermelho é impregnado de desejo, paixão e erotismo. O vermelho é a cor  dos extrovertidos e do primeiro plano. Marcado pelo simbolismo de duas vivências elementares, o vermelho é fogo, o vermelho é sangue. A nossa narrativa pessoal passa inevitavelmente pela roupa que vestimos, pela maneira de ficar dentro dela, e pela forma como carregamos esta roupa. Vestir-se com um vestido vermelho é vestir-se de poesia. Quem não se lembra do lindo vestido vermelho que Julia Roberts usou em 1990 no filme “Uma linda Mulher”? Ou ainda dos vestidos vermelho-sangue e vermelho-vinho das vampiras do filme Eclipse? Ou dos lindos e atemporais vestidos vermelhos de Valentino. Não é nenhuma leviandade seduzir-se por um …

Passeio

Dicionário poético das Marias Parte 1

Dicionário poético das Marias
Ameaça- Palavra que tem a palavra bandido dentro dela. Amigo- palavra que tem dentro de si um escudo, não te fere e não deixa ninguém te ferir. Desfrute – Palavra que tem plantada dentro de si um pé de mexerica. Maria – palavra que não perdeu a meninice. Perdão – Palavra que quando se  junta com a palavra dor, vira a palavra imperdoável.
Sozinho – Palavra que não espera por ninguém.

Um Amor que é só amor

São três horas da manhã e estou sentada no tapete sala. Eu e a Lua, minha cachorrinha  de doze anos. Ela anda tendo acessos de tosse, o veterinário já avisou que é o seu velho coração. Isso está me entristecendo muito. Ela acomoda sua cabeça no meu colo, me olha nos olhos, eu acaricio seu cabecinha, e agradeço por tudo o que ela me ensinou. E falo baixinho:
Com você voltei a brincar e a saudar todas as manhãs. Com você aprendi que a saudade pode se instalar pela ausência de alguém quando alguém se ausenta só por um minuto ou por vários anos, e que, em qualquer um dos casos, a saudade é quase sempre igual. Com você eu aprendi a olhar o nada pela janela, só por olhar e ficar ali por quanto tempo quiser. Com você aprendi que o mundo tem mais mistérios do que eu possa imaginar. E que você sabe o cheiro de cada um deles. Com você aprendi a ter paciência, a esperar, a ser menos exigente, e reconheci o quanto é gratificante ter você na minha vida. Com você aprendi o que é companheirismo, e …

Simples assim...

Bom fim de semana!

Espaço poético da recordação.

Espaço poético da recordação.


...uma imagem poética pode ser o germe de um mundo,
o germe de um universo imaginado diante do devaneio de um poeta.

Gaston Bachelard

Passa das duas horas da manhã quando ela chega em casa. A maquiagem borrada, o cabelo em desalinhado, o par de sapatos altos nas mãos. Abre a pequena bolsa prateada de festa que leva nos ombros e lá encontra uma rosa branca  murcha, que algumas horas atrás tinha recolhido da decoração da igreja.

Ela acaba de casar o único filho e seu coração tem uma mistura de sentimentos que não consegue decifrar. Olha ao redor, está sozinha, se joga no sofá e fica por uns minutos olhando para as paredes da sala, com a rosa murcha nas mãos. Pensa em tomar um banho, mas não tem forças. De repente, seus olhos pousam em um pequeno baú de madeira antigo em um cantinho da sala. Pisando na barra do vestido longo de festa vai até ele e abre sua tampa.

Aquele não é um simples baú, é o livro de sua vida. Ali dentro, cada um dos objetos guardados são como…

O Planeta agradece.

Muito boa semana!

Que o verão seja mais brando.
Que a fé seja infinita.
Que a semana seja leve para todos nós.

Menina que eu fui

A menina que eu fui

Para escrever sobre a menina que eu fui, eu desejei ter escrito uma carta para mim mesma quando tinha 10 anos para ser aberta neste momento. E lá nas suas páginas amareladas estaria escrito que eu fui uma menina que acreditava que tinha sempre uma linha geométrica organizando o seu caminho. Tinha medo de escuro e procurava a sombra dos passarinhos nas árvores na noite de lua cheia. Era convencida de que teria asas grandes quando fosse adulta. Acreditava que as flores tinham o poder de curar coração ferido, e que elas, as flores, cantavam baixinho durante a noite. Acreditava nos sonhos e que os sonhos tinham luz que não vinham nem da lua, nem das estrelas, nem do sol, mas da magia interna de quem sonha. Acreditava que ninguém é feliz se não tiver um jardim, porque é lá que se aprende o que é beleza. Que um anjo morava em uma garrafa azul que tinha na prateleira da cozinha. Que a noite procurava estrelas caídas do céu nos cantos do jardim e as luas refletidas nas poça…

Salve Iemanjá!