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Na minha pele o crepúsculo a crepitar


..as cores no céu a fingir o azul, o vermelho e o laranja. O vento a dizer folhas e eu a lembrar do tempo em que corria pelos quintais apenas para pegá-las em minhas mãos - detendo-as - para um desejo realizar... Eram outros tempos - outros meses - nada disso cabe em abril... esse mês que aos poucos escorre pra fora do calendário.

Se dei por ele? Não sei - há o que se lembrar certamente -, mas ainda não posso dizer o que é memória aqui dentro de mim... talvez quando maio chegar com suas trovoadas, porque maio segue sendo pra mim o tempo dos ruídos dentro do azul, com suas trovoadas estridentes...  maio não começa nem antes ou depois, acontece quando a primeira trovoada se faz ouvir... E algo me diz que esse ano, as trovoadas, irão se demorar junto aos céus... e abril continuará a existir dentro dos dias que não lhe pertence!

O silêncio trouxe dias frios nos últimos dias. Trouxe também as sonoridades erradas. Tumultos e tempestades humanas - inquietudes - o silêncio foi varrido para longe. Levado pelos pássaros que não cantaram em minha janela. Foram embora. Não sei exatamente para onde... Sei apenas que não ouvi aquele canto agradável dentro da madrugada, nem pela manhã ou pela tarde.

Quem veio para dentro das tarde de abril foi o sol ameno com seu falso dourado a aquecer onde não há sombra. Pouco visitei calçadas, mesas de café... Pouco sai de mim - ficando detida dentro da pele - em minhas ausências. Fui outra e acho que me esqueci em alguma esquina com o corpo a deriva, sendo entregue a um transeunte qualquer que passou por mim...  me ofereci em gotas - palavras a quem quisesse me ler - me prostitui dentro de abril  sem profanar minha mortalha...


-- 
Lunna Guedes -
Editora - Revisora e Escritora
Revista Plural e Scenarium Publicações

Comentários

Ana Paula disse…
Belíssimo texto poético de Lunna Guedes!
Especial estar aqui inundada de azul, vermelho e laranja.
Beijo!

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