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Auto Retrato das Marias


Eu me sentei em frente ao espelho, e fiquei ali a me espreitar. Afinal quem sou eu?
Sei que sou muita. Ás vezes tenho cabelo vermelho, outras vezes negro. Visto-me com roupas coloridas para celebrar a vida. A minha e a dos outros.

Eu me sentei em frente ao espelho e reparei no meu nariz que sai do alto da testa. Em meus olhos curiosos e provocadores em meu sorriso fino porém expressivo.
Em frente ao espelho procurei minha alma! Mas a alma se procura em um espelho? Não sei... Mas ouvi dizer que só as pessoas dolorosamente sábias sabem extrai-las de lá.
Em frente ao espelho olhei para as minhas mãos frágeis... Mas sei que a vida é bela se  eu for forte e não tiver medo dela.

Olhei de novo pra mim, e indaguei onde está meu coração? Não sei... mas sei que ele é sujeito que costuma fazer tudo diferente do que a cabeça manda.
Na frente do espelho sorri para minha pequena figura, e admiti que todos os meus dias têm trilha sonora.

Olhei serio para minha figura no espelho e confessei: tenho memoria roubada de poetas, das crianças e de gente  velha e que carrego comigo, versos, poemas, cantigas de roda e velhas cartas de amor.
Em frente ao espelho perguntei: de onde vim? Uma voz lá no fundo respondeu de um espelho quebrado.

Olhando firme para o espelho perguntei para onde vou? ? Não sei... Mas sei que preciso contar histórias e que elas dependem da minha identificação com os sentimentos alheios.
Ao me encarar no espelho vi que tenho asas invisíveis e com elas vivo no mundo dos telhados povoados de gatos , lua e estrelas e que de lá posso senti o perfume das nuvens.

Em frente  ao espelho desejei um xícara de café, e sentir o perfume  da terra molhada, para fortalecer a minha fantasia.
Adornei meus cabelos com flores e ao olhar no espelho ele me devolveu um olhar banhado de luar.

Em frente ao espelho me olhei de perto e vi que sou de papel...mas sei que algumas coisas são preciosas por não ser duradoras.
MariaCininha


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